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Nós nem sempre acabamos com o amor da nossa vida

Eu acredito no amor.

Mas eu converso e vou em encontros, como se não acreditasse.

Eu não espero ter um romance desses que vemos em filmes. Eu não estou querendo ficar com borboletas no estômago.

Eu sou uma dessas pessoas raras, e talvez já um pouco cansadas, que gosta da cultura de conhecer várias pessoas, e está feliz em viver em uma época onde a monogamia já não é mais a regra.

Mas eu acredito no amor, pois eu já vivi ele.

Eu já tive aquele grande amor. Aquele amor que nos consome por inteiro. Aquele amor que nos faz pensar “eu não acredito que isso existe de verdade, agora eu entendo as músicas românticas!”

O tipo de amor que queima como um incêndio incontrolável dentro de você, e então se torna uma brasa, quentinha e confortável, por anos. O tipo de amor que inspira filmes e músicas.

O tipo de amor que te ensina mais do que você já pensou que iria aprender algum dia, e que te da infinitamente muito mais do que toma de você.

É aquele que consideramos “O amor da sua vida.”

E acredite, ele funciona assim:

Se você tiver sorte, vai conhecer o amor da sua vida. Vai poder ficar com ele, aprender com ele, dará tudo de si mesma pra ele. E permitirá que ele te mude em maneiras incalculáveis. É uma experiência como nenhuma outra.

Mas existe algo que os contos de fada não vão te contar – as vezes nós conhecemos o amor da nossa vida, mas não conseguimos mantê-los.

Nós não casamos com eles, ou passamos anos ao lado deles, nem seguraremos a sua mão em seu leito de morte, após uma linda vida juntos.

Nós nem sempre conseguimos ficar com os amores da nossa vida, porque no mundo real, o amor não vence tudo. Não resolve diferenças irreparáveis, não triunfa sobre a doença, não cria uma ponte entre diferenças religiosas ou nos salva de nós mesmos quando estamos corrompidos.

Nós nem sempre conseguimos manter o amor das nossas vidas, porque as vezes o amor não é tudo o que está ali. As vezes você quer uma pequena casa no campo, com três crianças, e ele quer carreira bem sucedida na cidade grande.

As vezes você quer explorar tudo o que esse mundo tem para você, e ele tem medo de se quer sair do seu próprio quintal. As vezes, um de vocês sonha mais longe do que o outro.

As vezes, o maior e mais altruísta ato de amor que vocês podem fazer um para o outro, é deixá-los partir.

Outras vezes, você não tem uma escolha.

Mas aqui está outra coisa que eles não te contam sobre encontrar o amor da sua vida: não ter um final “felizes para sempre” com ele, não tira a sua importância.

Algumas pessoas podem te amar mais em um ano do que outros poderiam te amar em cinquenta. Algumas pessoas podem te ensinar mais em um único dia, do que outros poderiam te ensinar a vida toda.

Algumas pessoas entram na nossa vida apenas por um certo período de tempo, mas fazem um impacto tão grande, que ninguém jamais vai poder fazer igual – ou substituir.

E quem somos nós, para chamarmos essas pessoas de outra coisa, que se não “os amores da nossa vida”?

Quem somos nós, para minimizarmos a sua importância, para reescrever as memórias, para alterar as maneiras como eles nos mudaram para melhor, simplesmente porque os nossos caminhos se separaram? Quem somos nós para decidirmos que precisamos substituí-los – e tentar encontrar um amor maior, melhor, mais forte, e mais apaixonado, que possamos manter para sempre?

Talvez nós devemos ser simplesmente agradecidas porque encontramos essa pessoa.

Que tivemos a chance de amá-lo. Que tivemos a chance de aprender com ele. Que tivemos as nossas vidas prosperaram e floresceram porque o conhecemos.

Conhecer o amor da sua vida e deixá-lo partir, não precisa ser a tragédia da sua vida.

Se você deixar, ela pode se tornar a sua maior benção.

Afinal, algumas pessoas nem se quer chegam a encontrá-lo.

Um lindo texto traduzido da Heide Priebe

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